Nada é Definitivo!

"Como o nome do Blog diz, não existe uma única verdade, portanto, sempre temos que investigar tudo o que nos dizem sobre a história, para que possamos chegar mais próximos de uma verdade. Este blog é apenas um dos vários caminhos que existem, sejam bem vindos."

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O que significa Etnia?

O que significa Etnia?
Etnia significa povo e é um termo de origem grega. Etnia é utilizado para denominar um determinado grupo de indivíduos que possuam afinidades de idioma e cultura, independente do país em que estejam. Existem diversos conflitos de etnias, por exemplo, na África, onde o número de etnias é muito grande.

Um grupo étnico, sinônimo de etnia, consiste em um grupo de indivíduos que partilham as mesmas tradições, costumes, língua, ou seja, a mesma cultura.


Alguns autores afirmam que o termo etnia surgiu inicialmente em Israel, especificamente na época retratada no Antigo Testamento da Bíblia, onde as pessoas seguidoras do Judaísmo usavam o termoethnos para descrever os que não eram judeus. Alguns autores acreditam que no Novo Testamento, depois da ressurreição e ascensão de Jesus, este termo era usado para descrever as pessoas que não tinham sido evangelizadas, sendo que muitas vezes estes eram excluídos e diminuídos por aqueles que já tinham passado pelo processo de evangelização.

Etnia é uma expressão utilizada também de forma pejorativa podendo revelar preconceito contra um determinado grupo racial, ou para mostrar pessoas excluídas, que são minoria. Etnia é exatamente a sua tradução, é um grupo de indivíduos que possuem os mesmos fatores culturais, como religião, língua, roupas, iguais, e não apenas a cor da pele, por exemplo. O etnocentrismo consiste em considerar os costumes do nosso povo melhores do que os dos outros, e por esse motivo, pode criar discriminação em relação a outras etnias.


O que significa Raça?

O que significa Raça?
Raça é um conceito para categorizar diferentes populações de uma mesma espécie biológica desde suas características físicas; é comum falar-se das raças de cães ou de outros animais.
Na antropologia, eram utilizadas várias classificações de grupos humanos, conhecidos como "raças humanas", mas desde que começou-se a usar os métodos genéticos para estudar populações humanas, essas classificações e o próprio conceito de raças humanas deixaram de ser utilizados, persistindo o uso do termo apenas na política.

Raça humana  é normalmente uma classificação de ordem social, onde a cor da pele e origem social ganham sentidos, valores e significados distintos. As diferenças mais comuns referem-se à cor de pele, tipo de cabelo, conformação facial e cranial, ancestralidade e, em algumas culturas, genética.Algumas vezes utiliza-se o termo raça para identificar um grupo cultural ou étnico-lingüístico, sem quaisquer relações com um padrão biológico, e nesses casos pode-se utilizar termos como população, etnia, ou mesmo cultura.
O termo "raça" ainda é aceito normalmente para designar as variedades de animais domésticos e animais de criação como o gado.


A formação do mundo romano.

A formação do mundo romano

Fundada no século VIII a. C., na região central da Itália, a pequena cidade de Roma acabaria por controlar todos os territórios da bacia mediterrânea. No período inicial de sua história, essa cidade foi uma monarquia (753-509 a.C.) e pouco se expandiu sobre seus vizinhos peninsulares. Mas com o estabelecimento de uma república controlada pela oligarquia de grandes proprietários agrícolas, Roma passou a ter uma política expansionista. Como resultado disso em 275 a. C. toda a península Itálica estava submetida.

Mito da fundação de Roma - Rômulo e Remo

Cada conquista colocava os romanos em contato com outras potências e tornava necessárias novas conquistas para preservar os territórios adquiridos anteriormente. Foi assim que, em cem anos, foram conquistados a Sicília, a península Ibérica, o norte da África, a Grécia, a Ásia Menor.

Conquistas Romanas: o mare nostrum

No entanto, esse rápido crescimento territorial provocou alguns problemas socioeconômicos decisivos para o futuro do mundo romano. Podemos dizer que o imperialismo aumentou as distâncias sociais em Roma. Com as guerras os pequenos e médios proprietários rurais morreram ou viram-se endividados, o que favoreceu a concentração de terras nas mãos dos latifundiários. Milhares de indivíduos foram então obrigados a abandonar o campo e a migrar para as cidades. Ali, sem recursos econômicos, essa população marginalizada tornava-se fator de  tensões sociais e de instabilidade política.

Coliseu era o local das apresentações

Lutas entre gladiadores



Julio César


Diante disso, o Estado procurava proporcionar a ela alimento e diversão, “pão e circo”, o que aumentava as despesas governamentais. Tornava-se necessário, então, dar continuidade às conquistas, que, por sua vez, introduziam cada vez mais escravos em Roma – no século II a. C. existiam dois milhões deles. Assim, era cada vez menos provável que um cidadão romano pobre achasse emprego. Essa difícil e complexa situação abria caminho para experiências autoritárias, a mais conhecida delas, a de Júlio César (48-44 a. C.)
Fonte: História Geral - Hilário Franco Jr. e Ruy de O. Andrade Filho.



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Fim da hegemonia ibérica.

A economia na época da Restauração

A segunda metade do século XVII assiste ao fim da hegemonia ibérica. Franceses, ingleses e holandeses, com o estabelecimento de seus próprios impérios coloniais, tornam-se as principais potências de um jogo internacional do qual os ibéricos passam a ser peças secundárias. O poderio português estava abalado pelas invasões holandesas e pela guerra da Restauração e o comércio com o Oriente declinara drasticamente. Lutando em várias frentes, e diplomaticamente isolado, Portugal recorre à Inglaterra, que dá seu apoio militar e político ao abatido reino lusitano em troca de alguns domínios e de acordos comerciais vantajosos. Começava assim uma subordinação que avançaria pelos séculos seguintes.


Os holandeses, expulsos do Nordeste brasileiro em 1654, expandiram a produção de açúcar nas Antilhas, em suas próprias possessões ou em consórcios com ingleses e franceses. A produção holandesa, que contava com diversas refinarias, capitais e uma grande rede de distribuição, acabou por afetar diretamente os negócios luso-brasileiros.

NOVAES, Carlos Eduardo & LOBO, César. 
História do Brasil para principiantes. São Paulo, Ática, 2003. P. 49.

No entanto, ainda que o preço do açúcar não tenha acompanhado as altas de outros produtos, sobretudo dos escravos, em vários momentos do século XVII não houve uma queda generalizada da atividade açucareira. Ocorreu mesmo um aumento das áreas produtoras, que continuavam a ser essenciais para as finanças imperiais. Assim, e apesar das dificuldades, a economia colonial tornava-se cada vez mais complexa. A pecuária estendia-se para o interior, o tabaco mantinha-se entre as principais exportações e o algodão, usado internamente para a fabricação de tecidos grosseiros, começava a ganhar alguma destaque.

Para continuar suprindo suas necessidades, o império português passou, então, a exercer um controle maior sobre a colônia. São então criadas Companhias de Comércio, nas quais grandes comerciantes detinham o monopólio dos negócios das principais regiões exportadoras da América portuguesa. As tensões internas, alimentadas por oposições às medidas metropolitanas, não tardariam a se manifestar.

O que é ipsis litteris e in verbis?

ipsis litteris e in verbis

Ipsis litteris e in verbis são expressões usadas para citar alguma coisa que foi dita ou escrita por alguém. Ipsis litteris significa "pelas mesmas letras", o que significa que essa expressão deve ser usada no caso de referência literal a um texto.


Já a expressão in verbis é mais usada no caso da comunicação oral.
A utilização de uma ou outra expressão vai depender da fonte em questão. Se a fonte é oral, antes da citação deve ser incluída a expressão in verbis em itálico.
Quando a fonte é escrita, o mesmo acontece, só que com a expressão ipsis litteris.


Sine Qua Non.

Sabe o significado de Sine Qua Non?


 Sine qua non significa "sem o qual não pode ser", e é uma expressão que vem do latim. Sine qua non refere-se a uma ação, condição ou algo indispensável e essencial, inicialmente era utilizado como uma expressão legal, porém já é uma expressão corriqueira. O seu plural é Sine quibus non.

No latim, a forma correta utiliza precedendo a expressão, a palavra condicio, mas algumas vezes é encontrada com a palavra conditio: “Conditio sine qua non”. A expressão é utilizada não só no campo do direito, mas também em economia, filosofia e na área das Ciências da Saúde, além de ser utilizada em vários idiomas, como inglês, alemão, francês, italiano, etc.
No Direito Penal, conditio sine qua non, é a condição sem a qual não existe o crime, não havendo o conditio sine qua non, não há nexo de causalidade, portanto não há crime. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Sine qua non também é utilizado como sinônimo de indispensável, geralmente quando diz-se que existe alguma condição para que algo ocorra, portanto fala-se que existe uma condição sine qua non para que determinado fato aconteça.


O que é Carpe diem?

Carpe diem é uma expressão em latim que significa "aproveite o momento".
O termo foi escrito pelo poeta latino Horácio (65 a.C.-8 a.C.), no Livro "I de “Odes”, em que aconselha a sua amiga Leucone na frase: “...carpe diem, quam minimum credula postero". Uma tradução possível para a frase seria “...colha o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã”.



O significado de Carpe Diem é um convite para que se aproveite o tempo presente, usufruindo os momentos intensamente sem pensar muito no que o futuro reserva.

Horácio segue a linha do epicurismo e defende que a vida é breve e a beleza perecível. Sendo a morte a única certeza, o presente deve ser aproveitado antes que seja tarde.
Carpe Diem é viver o hoje sem preocupações com o amanhã. É desfrutar a vida e os prazeres do momento em que se vive. Esta expressão tem o objetivo de lembrar que a vida é breve e efêmera e por isso cada instante deve ser aproveitado.



Carpe diem se tornou em uma filosofia de vida para muitas pessoas.


O que significa o número 4:20?

O que é 4:20?
4:20 é um código de referência ao consumo de maconha (cannabis). O significado está relacionado com a data 20 de abril, escolhida para celebrar o Dia da Erva ou Dia da Maconha. Também é comum ver escrito 4/20 ou 420.



Segundo algumas versões, 420 era um código usado pelos policiais americanos para identificarem os indivíduos com algum envolvimento no uso da erva, seja como traficantes ou usuários.

A versão mais difundida é que o formato 4:20 (16h20) indicava o momento em que nos anos 1970, um grupo de amigos, estudantes de um determinado colégio na Califórnia, Estados Unidos, habitualmente se reunia para fumarem maconha. Era um código usado entre eles para falarem sobre o encontro sem despertarem suspeitas. Com o passar do tempo, o tal código transformou-se numa referência mundial.


Em muitos países, o 20 de abril (4/20) é celebrado pelos apreciadores da erva. É a data escolhida para as manifestações sobre a legalização da maconha para todos os usuários e não especificamente para uso medicinal.

Geralmente, a hora 4:20 (16h20) é um convite aos adeptos em todo o mundo a fumarem um cigarro de maconha.

Existem várias músicas dedicadas ao conceito do 4:20 e lojas com esse mesmo nome.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

União Ibérica.

A União Ibérica

O jovem rei de Portugal, D. Sebastião, morreu combatendo os árabes no norte da África. Sua derrota em Alcácer-Quibir, em 1578, levou ao trono português o velho Cardeal D. Henrique, que faleceu dois anos depois, também sem deixar descendentes. Abriu-se então uma intensa disputa pela Coroa lusitana, vencida afinal por Filipe II, rei da Espanha, da  família Habsburgo.

D. Sebastião em pintura atribuída a  Cristóvão de Morais.

Batalha de Alcácer-Quibir, 1578. in: Miscellanea (Miguel Leitão de Andrade, 1629)

Cardeal Dom Henrique Cardeal Rei

Felipe II



A nobreza e a burguesia portuguesas, atraídas pelas riquezas espanholas, apoiaram a nascente União Ibérica. A partir de  1580, toda a península estava ligada a uma só Coroa. Um imenso império, que envolvia todos os cinco continentes, passou a traduzir a nova dimensão do poderia ibérico.


No entanto, um ano após a união dinástica, já ocorria a primeira perda do império filipino. Parte dos Países Baixos, sob a liderança da Holanda, desligou-se de Madri, capital do império, proclamando a República das Províncias Unidas, uma perda que os espanhóis tentariam reverter, inutilmente, durante anos. Parceiros comerciais de Portugal, os holandeses financiavam e distribuíam grande parte do açúcar brasileiro. Mas a nova situação política em que ambos se encontravam trouxe mudanças nas relações entre esses dois Estados. A partir de 1624, ataques a possessões de Portugal, sobretudo em áreas canavieiras do Brasil e de obtenção de escravos na África, puseram frente a frente holandeses e portugueses. Por trinta anos, luso-brasileiros envolveram-se em lutas pela retomada de áreas ocupadas no Brasil e na África.

Por volta de 1620, a situação dos domínios filipinos começou efetivamente a se alterar: a prata americana já não era mais tão abundante; Estados europeus rivais continuavam a fustigar importantes possessões imperiais; e as sucessivas guerras enfraqueciam as finanças reais, gerando descontentamentos e revoltas internas. Para as classes dominantes portugueses já não era tão atraente a integração com a Espanha, pois sua riqueza diminuía e as revoltas das camadas populares aumentavam.


Os problemas econômicos tornaram-se, assim, a principal causa da Restauração, que iria desvincular novamente Portugal dos domínios espanhóis. Em 1640 era afinal aclamado um novo rei português, dando início a lutas que só terminariam em 1668.
Fonte: História do Brasil - Flavio de Campos e Miriam Dolhnikoff. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Produção açucareira em terras brasileiras.

A civilização do açúcar
A colonização das terras portuguesas na América exigia a organização de uma economia lucrativa e duradoura. A simples exploração do pau-brasil, apesar de ter se estendido por séculos, não garantia a estabilidade necessária para isso. Assim, o açúcar acabou por se tornar o principal produto da economia colonial até o século XIX, devido inicialmente a diversas condições favoráveis, principalmente no Nordeste, e a uma grande aceitação do produto nos mercados europeus.

Em torno da atividade canavieira desenvolveram-se também a pecuária e o fumo. O gado era fundamental para o transporte e servia como força motriz das máquinas dos engenhos. O tabaco tornara-se um produto importante, já que, na África, era trocado por escravos (escambo).


A África, o continente negro, fornecia um tipo de mercadoria especial. Por séculos, inúmeras embarcações cruzaram o oceano para abastecer o Novo Mundo com africanos, que, com sua vidas e seu trabalho, garantiram a colonização. A plantation, uma estrutura de produção original, lançava suas bases: grandes propriedades com mão-de-obra escrava dedicadas à cultura de um único produto voltado ao mercado externo.


A colonização gerou uma verdadeira civilização do açúcar. Afinal, com o plantio da cana e a proliferação de engenhos, não foram só as paisagens das áreas litorâneas, onde se dava o cultivo, que mudaram. Toda a antiga visão idílica, que apontava semelhanças entre o Novo Mundo e o Paraíso bíblico, foi substituída pelas reflexões e impressões causadas pela escravidão.

Os engenhos não eram apenas fábricas incríveis, mas verdadeiros infernos, com caldeiras que pareciam lagos ferventes, trabalho noturno e gritos desesperados de escravos. Numa melhor posição social, trabalhadores livres desempenhavam funções especializadas. O Brasil preparava-se para ser, segundo a visão de um cronista do período colonial, o inferno dos negros, o purgatório dos branco e o paraíso dos mulatos.

Grande parte da América estava integrada ao intenso comércio do Atlântico, que envolvia gêneros tropicais, manufaturas e escravos numa extensa rede mercantil, montada pelas metrópoles europeias, denominada antigo sistema colonial.


Fonte: História do Brasil - Flavio de Campos e Miriam Dolhnikoff.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A colonização do Novo Mundo

A colonização do Novo Mundo
Os primeiros habitantes das Américas, divididos em diversos grupos e distribuídos pelo extenso território, possuíam organizações sociais que variavam de tribos seminômades até verdadeiros impérios centralizados. Nas terras que hoje constituem o Brasil, destacavam-se as tribos Tupi, Gê e Aruaque, que, além da caça e da pesca, se dedicavam à agricultura. Calcula-se que em 1500 havia 2 milhões de nativos em nosso território. Destes restam menos de 200 mil, que ainda lutam pela demarcação de suas terras.



No início do século XVI, atraídos pelos lucros do comércio com as Índias, os portugueses limitaram-se ao reconhecimento das regiões litorâneas, quase exclusivamente para intensificarem a exploração do pau-brasil através do escambo com os nativos. Em pequeno número, esses lusitanos estabeleciam-se em feitorias e acabavam por se integrar ao cotidiano indígena, dependendo das alianças com as tribos locais. A presença de rivais europeus, bem como a tentativa de criar uma alternativa econômica para o comércio oriental – que em torno de 1530 já mostrava os primeiros sinais de crise -, levou a Coroa portuguesa a iniciar a colonização da América.

Escambo 


A partir de então, a relação com os indígenas se modificou.  A civilização trazida pelos europeus passou a significar a submissão dos nativos, a tomada de suas terras e a subordinação de suas culturas originais. Tornaram-se frequentes os conflitos entre portugueses e índios.

A primeira experiência colonizadora, feita com as capitanias hereditárias, não garantiu a defesa nem a ocupação desses novos domínios. Desde cedo, algumas delas, chamadas Capitanias Reais, passaram ao controle direto de Lisboa, ao contrário das demais, controladas a partir da colônia. Anos depois, com a criação do Governo-Geral, a Coroa reassumia o comando da colonização, por meio de um poder centralizado, ao qual foram subordinadas todas as capitanias.




Posteriormente haveria uma nova divisão do território brasileiro, estabelecendo-se dois governos, um sediado na Bahia e outro no Rio de janeiro. O Governo-Geral deveria ser a expressão de um poder central forte que dirigisse a colônia. Na prática, porém, os grandes proprietários de terras (chamados homens bons) acabaram por controlar a vida colonial, exercendo seu poder político através das Câmaras Municipais.
Fonte: História do Brasil - Flavio de Campos e Miriam Dolhnikoff.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A conquista colonial.

A conquista colonial
No final do século XIV, o conhecimento geográfico dos europeus limitava-se, além de suas próprias terras, ao norte da África e a uma pequena parte da Ásia. Algumas rotas mercantis ligavam as mais distantes regiões asiáticas aos extremos ocidentais da Europa. As cidades italianas de Gênova e Veneza haviam se destacado como os principais centros do comércio medieval, mas foram os reinos ibéricos de Espanha e Portugal que primeiramente se dirigiram ao Atlântico, logo após a reconquista de seus territórios aos árabes.

Caravela Portuguesa da Época das Grandes Navegações

Depois de quase um século de expedições à costa africana, os portugueses conseguiram ultrapassar o cabo da Boa Esperança ( antigo cabo das Tormentas), com Bartolomeu Dias. Essa bem sucedida empreitada abriu-lhes um novo caminho para as Índias.

Bartolomeu Dias dobrando o Cabo das Tormentas representado em painel de Domingos Rebelo (1945), no prédio do Parlamento Português.
O Cabo da Boa Esperança é o ponto onde os oceanos Índico e Atlântico se encontram. Era o ponto estratégico das rotas comerciais européias para o Oriente.
O navegador português Bartolomeu Dias foi o primeiro europeu a contorná-lo, em 1488, demonstrando que era possível se chegar ao oriente por mar. Batizou o local de Cabo das Tormentas. Posteriormente, o rei D. João II chamou-o de Cabo da Boa Esperança, pois finalmente o caminho para a Índia pelos oceanos havia sido encontrado.


Alguns anos antes, Cristóvão Colombo, a serviço dos reis espanhóis e também procurando chegar ao Oriente, atingira as ilhas do Caribe, iniciando a conquista da América. A partir de então, muitos navegadores cruzaram o Atlântico, que foi deixando de ser um mar desconhecido, sobre o qual tinham sido criadas as mais fantásticas e assustadoras lendas, para ser a principal via de integração entre o Velho e o Novo Mundo.

Navegador genovês (1451-1506). Descobriu a América e acabou ligando a Europa ao Novo Mundo.

Cristóvão Colombo foi o primeiro homem a comprovar o que muita gente, em sua época, já desconfiava: o mundo, na verdade, tinha uma forma esférica. Ele acreditava ser possível viajar para o leste ou para o oeste e acabar retornando ao ponto de partida. Colombo nasceu em Gênova, cidade portuária no norte na Itália, onde cresceu circulando entre navios e marinheiros.


Numa dessas viagens, Pedro Álvares Cabral, que se dirigia para o Oriente, afastou-se de sua rota e desembarcou numa área rica em pau-brasil, inicialmente denominada Terra de Santa Cruz. Começava então a conquista portuguesa em terras que, por seus habitantes e por suas paisagens, parecia ser o paraíso terrestre descrito na Bíblia.

A chegada de Cabral


Tratado de Tordesilhas - divisão entre Portugal e Espanha


Portugal e Espanha, pioneiros na expansão ultramarina, logo procuraram dividir ente si os novos domínios. Por intervenção do papa, em 1493, tentou-se traças uma linha divisória que, além de favorecer o reino castelhano, não determinava com precisão o local de onde deveriam ser contadas as cem léguas demarcatórias. Permitindo interpretações conflitantes, foi necessário proceder a uma nova divisão das terras descobertas, um ano depois, pelo Tratado de Tordesilhas. Esse acordo, por sua vez, foi contestado imediatamente por outros Estados europeus, que passaram a promover várias expedições militares e comerciais ao continente americano.
Fonte: História do Brasil - Flavio de Campos e Miriam Dolhnikoff.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A civilização helenística

A Civilização helenística
O próspero período clássico não levou ao surgimento de um espírito nacionalista e ao estabelecimento de uma unidade política entre as Cidades-Estados gregas. Pelo contrário, a prosperidade geral de alguma forma acentuou as disputas internas e permitiu que, em 338 a. C., toda a Grécia fosse submetida por Filipe da Macedônia.

Filipe da Macedônia


Seu filho e sucessor, Alexandre Magno, em poucos anos conquistou o vasto e poderoso Império Persa e parte da Índia, constituindo o maior império conhecido até então. Mas esse vasto território não sobreviveu unido à morte prematura do conquistador: seus generais dividiram o império em três reinos, que, enfraquecidos por lutas internas, foram submetidos por Roma nos séculos II e I a. C. Portanto, a obra política de Alexandre foi efêmera, mas a fusão de elementos gregos e orientais propiciada por suas conquistas deu origem a um mundo novo, a civilização helenística.

Alexandre Magno

Mapa mostra os domínios conquistados pelo Império Macedônio


No plano econômico, ela significou uma expansão das atividades mercantis e artesanais, facilitadas pela unidade política criada por Alexandre naqueles extensos territórios. Assim, desenvolveu-se uma economia internacional, com cada região se especializando em determinadas atividades e havendo intensa troca de mercadorias entre elas. Prenunciava-se a vida econômica do Império Romano. Se até o final do século III a. C. a Grécia beneficiou-se com as conquistas alexandrinas que abriram grandes mercados aos seus produtos e proporcionaram grandes pilhagens aos seus soldados, depois desse período ela passou a segundo plano. O eixo econômico deslocou-se para as regiões orientais, donas de recursos naturais e de população bem maiores.


Farol de Alexandria

Colosso de Rodes

No plano cultural, a fusão entre o dinamismo dos gregos e o tradicionalismo dos povos orientais egípcios, mesopotâmicos e persas produziu resultados importantes. Nas artes predominaram a suntuosidade oriental, em obras como o Farol de Alexandria e o Colosso de Rodes, e o equilíbrio grego, em obras como a Vênus de Milo. A filosofia grega, influenciada por certo fatalismo da visão de mundo dos orientais, levou a correntes de pensamento mais adequadas àquele momento: o estoicismo, que pregava a aceitação do destino, o ceticismo, que negava a possibilidade de se chegar à verdade, o cinismo, que defendia o desprezo à convenções sociais. Nas ciências, os conhecimentos teóricos dos gregos e o pragmatismo dos orientais permitiram o despontar de grandes nomes, como Euclides na Geometria, Arquimedes na Física, Aristarco de Samos na Astronomia.
Fonte: História Geral - Hilário Franco Jr. e Ruy de O. Andrade Filho.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Grécia arcaica e clássica.

A GRÉCIA ARCAICA E CLÁSSICA
A península Balcânica, habitada pelos gregos, é pequena, tem poucas áreas férteis e muitas montanhas. Sendo bastante recortada pelo mar, possui inúmeros portos naturais. O grande número de ilhas próximas permite a navegação com segurança, quase sempre com terra à vista. Tal configuração geográfica contribuiu para a formação de algumas das características históricas básicas dos antigo gregos.

Partenon (templo da deusa Atena) construído na Acrópole de Atenas (século V a.C)


Compartimentados em pequenos cantões cercados pelas montanhas e pelo mar, cada grupo humano da Grécia Antiga estava relativamente isolado dos demais. Os gregos organizavam-se, assim, em pequenas unidades políticas, as Cidades-Estados ou poleis. Esse relevo acidentado, entretanto, dificultava as invasões estrangeiras, como ficou claro nas Guerras Médicas (499-449 a. C.), quando o poderoso Império Persa foi derrotado pelas pequenas poleis.

O litoral bastante recortado da Grécia apresentava uma escapatória ao solo pouco favorável à agricultura, com exceção da produção de azeitonas e uvas. Azeite e vinho eram exportados possibilitando aos gregos a importação de cereais, madeira e carne. Em função dessas necessidades econômicas, desde o século XII a. C. os gregos fundaram inúmeras colônias por toda a bacia do mar Mediterrâneo, sobretudo nas costas da Ásia Menor. E, fato extremamente importante, todas essas trocas comerciais eram acompanhadas por trocas culturais. Os gregos absorveram, selecionaram e adaptaram elementos de outras civilizações, proporcionando a elas sua própria cultura. As colônias gregas do sul da Itália, por exemplo, teriam mais tarde papel significativo na formação da civilização romana.

 Teatro de Epidauro (século IV a.C)


Na maior parte das Cidades-Estados, a população reduzida e a participação de todo cidadão na defesa da cidade foram gerando um sentimento de certa igualdade que acabou por levar à democracia. Por outro lado, a autonomia de cada polis criava forte sentimento regionalista. Antes de se considerar grego, o indivíduo se via como ateniense, espartano ou tebano. Assim, não surpreende que, embora unidos contra o estrangeiro, os gregos, com certa frequência, lutassem entre si. Aliás, foi o maior desses conflitos, a Guerra do Peloponeso (431-404 a. C.), opondo a democrática Atenas à oligárquica Esparta e suas respectivas aliadas, que enfraqueceu definitivamente a Grécia Antiga.

Templo de Hefestos em Atenas


O auge da civilização grega foi o período clássico (séculos V-IV a. C.). A implantação da democracia em várias cidades e a produção de notáveis obras artísticas, literárias e filosóficas caracterizaram internamente esse período. Externamente, os gregos puderam não só resistir à tentativa de invasão persa, mas também manter e até ampliar suas área colônias.
Fonte: História Geral - Hilário Franco Jr. e Ruy de O. Andrade Filho.

IMPERIALISMO


Diferença entre Imperialismo e Colonialismo

Imperialismo é a prática através da qual, nações poderosas procuram ampliar e manter controle ou influência sobre povos ou nações mais pobres.
Algumas vezes o imperialismo é associado somente com a expansão econômica dos países capitalistas; outras vezes é usado para designar a expansão européia após 1870.
Partilha da África e Ásia

Muitos utilizam o nome Imperialismo como sinônimo de Colonialismo, é necessário mostrar que existem diferenças entre as duas nominações.
Dessa forma podemos simplificar que o Colonialismo normalmente implica em controle político, envolvendo anexação de território e perda da soberania.

Em contra partida o Imperialismo se refere, em geral, ao controle e influência que é exercido tanto formal como informalmente, direta ou indiretamente, política ou economicamente.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

AS CIVILIZAÇÕES DO ANTIGO ORIENTE MÉDIO - MESOPOTÂMIA E EGITO.


AS CIVILIZAÇÕES DO ANTIGO ORIENTE MÉDIO
O Homem apareceu na Terra há três milhões de anos, mas formou sociedade complexamente organizadas (com escrita, Estado, leis, cidades) há somente cinco ou seis mil anos. Ou seja, sua vida “história” é muito mais curta e recente que a “pré-histórica”, sobre a qual temos informações fragmentárias, dispersas e polêmicas. Sabemos, entretanto, que por volta de 4000 a.C. o homem descobriu a agricultura, com ela sedentarizou e assim começaram a se desenvolve as primeiras civilizações.
Conhecidas como civilizações hidráulicas ou de regadio constituíram-se em torno e em função de grandes rios: a Mesopotâmia estava ligada aos rios Tigre e Eufrates, o Egito ao Nilo, a Índia ao Indo, a China ao Amarelo. Foi no Oriente Médio, com as civilizações da Mesopotâmia e do Egito, que teve início a História. Tempos depois desenvolveram-se ali outras sociedades, que, sem contar com o poder fertilizador de grandes rios, ganharam características diversas: pastoris (hebreus, filisteus, cananeus, hititas), mercantis (fenícios, lídios, cretenses), militares (assírios, hititas, persas). Cada um desses povos teve, além de uma rica história interna, longas e muitas vezes conflituosas relações com os demais
As duas principais civilizações foram a Mesopotâmia e o Egito. A Mesopotâmia, planície aberta à constante movimentação de diversos povos, conheceu quatro grandes períodos históricos:  o sumério, o babilônico, o assírio e o caldeu. Essa periodização clássica baseia-se na complexa história político-militar da região. Em todas as fases, há um clara continuidade social (elite, homens livres pobres, escravos) e econômica (cerealicultura, pecuária, artesanato e comércio). Também do ponto de vista cultural (escrita cuneiforme, códigos jurídicos, astronomia) e religioso (politeísmo antropomórfico), os povos mesopotâmicos mostraram sua semelhanças.

O Egito, por sua vez, mais isolado por mares e desertos, só passou a ter contatos frequentes com outros povos numa época relativamente tardia, por volta do século XVIII a.C. O fato de o faraó ser considerado um deus (enquanto os governantes mesopotâmicos eram apenas representantes de deuses) contribuiu por muito tempo para a estabilidade da região. Para preservar o corpo do faraó falecido e assim perpetuar a sociedade, construíram as pirâmides. Estruturalmente ligados ao Nilo, os egípcios concebiam o mundo como reflexo da luta entre o rio (deus Osíris) e o deserto (deus Seth). A vida  econômica desse povo dependia do Nilo: agricultura em suas margens, transporte de pessoas e mercadorias em seu leito.

Fonte: História Geral - Hilário Franco Jr. e Ruy de O. Andrade Filho.