Nada é Definitivo!

"Como o nome do Blog diz, não existe uma única verdade, portanto, sempre temos que investigar tudo o que nos dizem sobre a história, para que possamos chegar mais próximos de uma verdade. Este blog é apenas um dos vários caminhos que existem, sejam bem vindos."

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A História do corneteiro na luta pela Independência no Estado da Bahia.



Luta pela Independência na Bahia – A História do corneteiro Luis Lopes.


O conflito ficou conhecido como a Batalha de Pirajá e teve um papel decisivo na Guerra pela Independência da Bahia, pois assegurou a continuidade do cerco à cidade de Salvador, que estava sob o domínio das tropas portuguesas.
Foram mais de 4 horas de combate. O exército português era mais numeroso, além de melhor treinado e equipado. A vitória lusitana era dada como certa. Tanto o era que, diante da iminente derrota, o Comandante Barros Falcão ordenou o recuo das tropas brasileiras.
Mas eis que, em vez do toque de “recuar”, o corneteiro Luís Lopes deu o sinal de “cavalaria avançar” e, em seguida, o de “degolar”. E quem acabou partindo em retirada foram as tropas lusitanas, imaginando que os brasileiros tinham recebido reforços.

Cavalaria brasileira não havia mesmo. Mas a história (ou seria estória) do tal corneteiro é colocada em dúvida, tanto pela ausência de documentos históricos que comprovem a sua existência, como pelo fato de o episódio soar como lendário.
Na obra Memórias Históricas e Políticas da Bahia, o historiador Inácio Acioli de Cerqueira e Silva apresenta a explicação da vitória brasileira na Batalha de Pirajá como decorrente de um toque errado de corneta.
Já o barão do Rio Branco, nas Efemérides brasileiras, ao registrar e comentar o conflito, não menciona a participação do corneteiro Lopes, embora conhecesse o texto de Acioli.
Brás do Amaral, em História da independência na Bahia, obra escrita no ano em que se comemorou o centenário do 2 de Julho, conta o mesmo que Acioli já havia dito.
Pedro Calmon, ao tratar das lutas da independência, na obra História do Brasil, nada fala sobre a intervenção providencial do corneteiro, que era português, mas integrava o exército brasileiro.
O historiador Cid Teixeira afirma que prefere acreditar no testemunho presencial de Ladislau dos Santos Titara, que, além de ser o autor do Hino ao Dois de Julho, era soldado, lutou na batalha e disse que ouviu o toque de “avançar cavalaria”.
Um outro testemunho, o Alexandre Gomes de Argolo Ferrão, o Barão de Cajaíba, atesta o feito do corneteiro Luís Lopes. Ele era comandante da Legião de Caçadores da Bahia, uma das unidades que participaram do combate de Pirajá.
Cajaíba foi quem acompanhou D. Pedro II, numa visita que este fez ao campo histórico de São Bartolomeu de Pirajá, em 9 de outubro de 1859. O imperador registrou, em seu diário, que o barão lhe contou que os brasileiros ganharam a batalha graças a "um corneta trânsfuga português que descompunha, por meio de toques, o exército lusitano, e neste dia, tocando a retirada, fez com que avançassem os lusitanos para debandarem para o lado do campo de Cabrito e da cidade, logo que ouviram os vivas dados a meu pai, pelo major de Pernambuco Santiago; os tiros de uma pequena peça assestada ao lado direito da igreja, para quem segue para o Cabrito e o toque de degola da cavalaria que deu o tal corneta, quando apenas havia trezentos brasileiros, sobre que se dirigiam quatro colunas lusitanas, tendo por todos quatro mil homens, uma parte da cidade, outra ao lado do Cabrito, outra de Itapoã e outra em direção à praia próxima que chegou ao desembarque, quando as outras já se debandavam”.
Algumas linhas adiante, o monarca escreveu no diário: "todas estas informações são do Cajaíba, e só posso afirmar que as ouvi" .
Em 2003, o episódio do Corneteiro Lopes, se tornou tema de um curta-metragem de 20 minutos, em película, dirigido pelo cineasta baiano Lázaro Faria.

Fonte: Tribuna da Bahia.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Você sabia que foi um brasileiro que inventou o rádio?


Pois é minha gente, o padre Landelll de Moura, foi o verdadeiro inventor da válvula de três polos, onde conseguiu transmitir notas musicais a longa distância, sem uso de fios, no ano de 1893.

Padre Roberto Landell de Moura

Porém, na época, nosso conterrâneo foi acusado de lunático e louco, sendo inclusive perseguido por parte de seus superiores da igreja.
Quem ainda duvida é só acompanhar os passos do padre na época, pois em 1901, ele viajou para os Estados Unidos da América e patenteou sues inventos no U.S.Patent Office, onde se encontram registrados suas patentes de números 771.917 (transmissor de ondas),775.337 (modelo de telégrafo sem fio) e 775.846 (telefone sem fio).
Portanto, Parabéns ao nosso Padre Landell de Moura.
Mas aposto que na escola você aprende que foi Marconi o inventor do rádio, não é isso?

David Pereira – Pós graduado em História.



Reformas Trabalhista e a história se repetindo.

A história sempre se repetindo

Assim como foi na época da Primeira República, conhecida como “Café com Leite”, na qual utilizaram vários mecanismos de valorização do café “política do café”, estamos vendo nossos parlamentares com muita pressa em aprovar as reformas trabalhistas. Isso nos faz lembrar a frase de Celso Furtado “privatização dos lucros e socialização das perdas”.


Quem será que vai perder!?
É claro minha gente que será a classe trabalhadora.
David Pereira - Pós graduado em História.

A invenção do telefone.



Primeiro brasileiro a conhecer o Telefone.


O primeiro brasileiro a conhecer o telefone foi o imperador D. Pedro II, que durante a Exposição do Centenário da Independência dos Estados Unidos conheceu Graham Bell. O inventor pediu a D. Pedro II que visse seu “aparelho elétrico, uma máquina falante”. Graham Bell ficou numa ponta do fio, a cerca de 150 metros do aparelho dado ao imperador. Quando D. Pedro II ouviu as palavras de Graham Bell na outra extremidade do fio, exclamou: “Meu Deus, isto fala!”

terça-feira, 2 de maio de 2017

COMO SE CONSTRÓI HERÓIS


COMO SE CONSTRÓI HERÓIS




A história, lenda ou fábula ocorre na Praça do mercado em Altdorf, no cantão de Uri, um dos três cantões, ou Estados, da floresta, no centro da Suiça.
Estamos nos século XIV, estavam selando uma aliança; Uri, Schwyz e Unterwalden, seria uma forma de defesa contra invasores.
Esses locais eram governados pelo Sacro Império Romano-Germânico, e os  sonhos dos cantões, eram conseguir a independência.
Nesse momento que surge a figura de um herói. Conta-se que por ordem de Hermann Gessler, governador enviando pelos Habsburgos, teria determinado que na sua ausência, fosse colocado um chapéu sobre um poste, este representava sua autoridade; quem passasse por ali devia saudá-lo.
Aparece então Guilherme Tell, um defensor da liberdade, junto com seu filho passaram pelo local e não fizeram a saudação, surge então um fiscal do governo que intervêm, e exige que Tell faça a saudação. Diante da recusa, começam uma briga. Chega no local o próprio governador Gessler que ao saber do ocorrido e conhecendo a fama de Tell como grande arqueiro, propõe um desafio; coloca o filho de Tell, Walter amarrado em uma árvore e uma maça sobre sua cabeça, e obriga Tell a executar a tarefa de disparar uma flecha na maça depois de tomar uma certa distância, caso contrário ambos serão executados na hora.
Tell se prepara para a missão, porém antes tira uma segunda flecha da aljava e coloca no cinto.
Tell lança a flecha e acerta a maça. Gessler então pergunta para que serveria a segunda flecha, Tell sem papas na língua teria dito: “se a primeira seta tivesse ferido o meu filho, a segunda seria sua”.
Gessler irritado pela petulância de Tell manda seus soldados efetuar sua prisão e quando o prisioneiro está sendo levado de barco através do lago Lucerna, surge uma tempestade, como Tell também seria um ótimo timoneiro, os remadores pedem a Gessler que o libertem para conduzir a embarcação.
Tell leva o barco até a margem e depois foge.
Nos dias que seguem Tell prepara sua vingança e consegue acompanhar um dos caminhos do governador Gessler e escondido entre as montanhas desferi uma flecha no governador que cai morto.
Tell grita: “Os lares estão livres, a inocência está segura, e não voltarás a fazer mal ao país”. Esta teria sido a primeira ação pela independência da Suiça.
Muitos historiadores contestam essa história e dizem não passar de uma fábula, outros dizem que nunca existiu o tal governador e outros ainda dizem que foi inspirada em fábulas antigas, ou seja, muito antes do século XIV.
O certo é que no cantão de Uri, segundo contam, seria a cidade de Guilherme Tell, e por lá foi erguido um monumento de Tell e seu filho Walter.

“Viram” até os suíços têm seu Tiradentes...


sábado, 29 de abril de 2017

Navio Negreiro adaptador pelo rapper Slim

Adpatação   - O Navio Negreiro – rapper Slim Rimografia



Estamos em pleno mar, Embarcações de ferro e aço, Onde pessoas disputam / Palmo a palmo por um espaço.

Nesse imenso rio negro / De piche e asfalto, Cristo observa tudo calado, De braços abertos lá do alto.

Onde a lei do silêncio / Impede que ecoe o grito do morro, Dos poetas em barracos sem forro, Que clamam por socorro.

Homens de pele escura / Sem sobrenome importante, Filhos de rei e rainhas / De uma terra tão distante.

O mar separa o Brasil da África, Um rio separa as periferias / Das mansões de magnatas.
Uniformes diferenciam / Funcionários e patrões. A cor denuncia / As vítimas de antigas explorações.

Trazidos nos porões / Dos navios negreiros, Tratados como animais, Vendidos a fazendeiros.
Vivendo em cativeiros, Negociados como mercadoria, Enriquecendo a classe nobre, Hoje chamada burguesia.

Deixaram pra trás lembranças, Dialetos e crenças. Caçados, mortos ou açoitados / Quem tentou a resistência.

Marcados como gado, Sem direito à educação, Emudeceram seus tambores, Amaldiçoaram sua cultura e religião.

Alguns morreram de fome, De sede, de frio. O corpo magro cheio de marcas, O estômago vazio.

Me diz quem são os heróis, Quem são os bandidos. Quem merece a honra, E quem merece ser punido.

Quem lutou por liberdade, E na história foi esquecido. Sem estátuas ou monumentos, Só barracos foram erguidos.

No chão pisado, onde tudo foi negado, Sem estudo, sem instrução, Herdou não só a pele escura, Mas o cabelo encrespado.

Fez o samba, fez capoeira / Na poeira do serrado. Fez dos restos que lhe deram / Pratos hoje contemplados.

Temos a ginga, a malandragem, Habilidade e o swing. Temos força, temos fé, Que vão além dos campos e ringues.

Somos índios, somos brancos, Somos negros, somos afrodescendentes. Somos raça, somos povo, Somos tribo, somos gente.

Somos sonhos, somos luta, Somos mão de obra barata. Somos arte, somos cultura, Somos ouro e somos prata.

Fomos tratados como nada, Trazidos como bichos, Oprimidos e usados, E depois dispensados como lixo.

Temos muito que mudar, A história não acabou. Lembrar cada vida que por liberdade / Como Cristo se sacrificou.

Ancestrais, bisavós, Cuja voz foi silenciada, Por nós sua luta / Não pode ser abandonada.
O navio hoje é barca / Sem velas, só sirene. Navegando na estrada, Hoje volantes, ontem lemes.

O porão do navio / Hoje é chiqueiro de camburão. Os chicotes e açoites / Trocados pelo cacete e oitão.

A senzala virou presídio, O quilombo é a favela, Os zumbis pelo mundo / São Malcolm X, Luther King, Zumbis ou Mandelas.

A escravidão ainda existe / Em cada olhar triste, nas esquinas, Nos becos, ruas e vielas, E nos sonhos em ruínas.

Nos esgotos a céu aberto, Nas crianças desnutridas, Nas mãos pequenas que pedem esmolas, Nas rua e avenidas.

Nos malabaristas da miséria, Sob o sol nos faróis da cidade, No show da sobrevivência / Artistas por necessidade.

Herdeiros da miséria e do tráfico / Dos escravos trazidos em navios, Alguns hoje de fuzil são traficantes, Soldados do breu em busca de brio.

Pátria amada, idolatrada / Ó mãe gentil, Onde estavas / Que tamanha atrocidade não viu?
Negras mulheres suspendendo às tetas / Magras crianças de cujas bocas pretas / Escorre o sangue das mães. Moças, nuas e espantadas, De medo acuadas / Em desespero aterradas.

É ...Tem um pouco de navio negreiro / Debaixo de cada viaduto, Em cada lágrima derramada, Em cada mãe que veste luto.

Tem um pouco de navio negreiro / Em cada mão que pede esmola, Em cada beco ou viela, Em cada criança longe da escola.

Tem um pouco de navio negreiro / Na viola, no pandeiro, No atabaque, no cordel, Na enxada e no tempero.

Tem um pouco de navio negreiro / Na igreja e nos terreiros, Nos santos, nos orixás, Nas benzedeiras e nos obreiros.

Tem um pouco de navio negreiro / No crucifixo, no patuá, No cabelo sarará, na mulata, no crioulo, E na cumbuca de munguzá.

Tem um pouco de navio negreiro / Na música, na poesia, Na dança, nas artes, E em cada panela vazia.

Tem um pouco de navio negreiro / No futebol, no Carnaval, No azeite de dendê, no acarajé / E no nosso Código Penal.

Tem um pouco de navio negreiro / No reflexo em frente ao espelho, Dos que lutaram e morreram / Pra não viver de joelhos.

Tem um pouco de navio negreiro / Em cada conquista, em cada vitória, Na pele, na memória, no coração, Na minha, na sua, na nossa história.

Tem um pouco de navio negreiro / Em cada brasileiro, Tem um pouco de navio negreiro.


Fonte: Livro O Navio Negreiro da Editora Panda Books.

um pouco sobre Genghis Khan

Esta passeando pelo blog de Kid-bentinho, no qual eu recomendo, achei essa matéria muito interessante:
GENGHIS KHAN



Entre 1206 e 1227, o líder mongol Genghis Khan conquistou quase 12 milhões de quilômetros quadrados de território, mais do que qualquer outro indivíduo na história. Ao longo dessa jornada, ele abriu seu caminho através da crueldade, devastando a Ásia e a Europa e deixando incontáveis milhões de mortos por onde suas hordas passavam. Mas, ele também modernizou a cultura mongol, abraçou a liberdade religiosa e ajudou a fortalecer o comércio entre o Oriente e o Ocidente.
Conheça 10 fatos interessantes sobre esse grande governante que com suas conquistas mudou os rumos da história.

1 -  "Genghis" não era seu nome verdadeiro.
O homem que se tornaria o "Grande Khan" dos mongóis nasceu ao longo das margens do rio Onon por volta de 1162 e chamava-se Temudjin, que significa "de ferro" ou "ferreiro." Ele  conseguiu o título honorífico de  "Genghis Khan”  somente em 1206, quando foi proclamado líder dos mongóis em uma reunião tribal conhecido como kurultai.  Khan é um título tradicional que significa líder ou chefe. Os historiadores ainda não tem certeza sobre as origens da palavra Genghis. Ela pode significar  "oceano" ou "justo", mas no contexto histórico é geralmente traduzida como "líder supremo" ou "governante universal."

2 -  Ele teve uma infância difícil.
Desde tenra idade, Genghis Khan foi forçado a lidar com a brutalidade da vida nas estepes da Mongólia. Tártaros rivais envenenaram seu pai quando Genghis Khan  tinha apenas nove anos, mais tarde, sua própria tribo expulsou sua família,  deixando sua mãe sozinha para criar os sete filhos. Genghis Khan cresceu caçando e forrageando para sobreviver, e, segundo algumas lendas, talvez tenha até mesmo assassinado seu meio-irmão em uma disputa sobre comida. Durante sua adolescência, clãs rivais sequestraram tanto a ele quanto a sua jovem esposa Borte;  Genghis Khan viveu como escravo até realizar uma ousada fuga. Apesar de todas estas dificuldades, lá pelos seus 20 anos, ele já havia se estabelecido como um guerreiro formidável e um líder brilhante. Depois de juntar seu exército de seguidores, Genghis Khan começou a forjar alianças com os chefes das tribos mais importantes. Por volta de  1206, ele havia unido com sucesso os povos das estepes sob sua bandeira e começou a planejar  a conquista de terras além da Mongólia.

3 -  Não há registro definitivo de como ele era.
Para uma figura tão influente, muito pouco se sabe sobre a vida pessoal de Genghis Khan ou até mesmo sobre sua aparência física. Não há retratos ou esculturas dele que  tenham sobrevivido até nós, as poucas informações  que os historiadores possuem, são muitas vezes contraditórias ou não confiáveis. A maioria dos relatos descrevem-no como alto e forte, com cabelos compridos e uma barba longa e espessa. A descrição mais surpreendente de Genghis Khan nos vem por cortesia de  Rashid al-Din, cronista persa do século 14, ele alegou que o famoso líder tinha cabelos vermelhos e olhos verdes. O relato de Al-Din é questionável, pois ele nunca conheceu o Khan em pessoa, mas essas características marcantes realmente existiam entre as diversas etnias mongóis.
4 - Alguns de seus generais mais confiáveis haviam sido seus inimigos.
O Grande Khan tinha um olho afiado para o talento, ele geralmente promovia seus oficiais pela habilidade e experiência ao invés de por classe, ascendência ou mesmo alianças passadas. Um famoso exemplo dessa crença na meritocracia veio durante uma batalha em 1201 contra a  tribo rival Taichud, batalha em Genghis Khan quase morreu depois que seu cavalo tombou morto por cima dele, atingido por uma flecha. Quando mais tarde ele se dirigiu aos prisioneiros  e exigiu saber quem foi o responsável, um guerreiro bravamente levantou-se e admitiu ser o atirador. Impressionado pela ousadia do arqueiro, Genghis Khan o fez um oficial do seu exército e, posteriormente, o apelidou de "Jebe", ou "flecha", em homenagem ao ocorrido. Junto com o famoso general  Subutai, Jebe  se tornaria um dos maiores comandantes dos mongóis durante suas conquistas na Ásia e na Europa.

5 - Ele não deixava que rebeliões ficassem  impunes.
Genghis Khan geralmente dava a chance dos povos se renderem pacificamente ao governo mongol, mas não hesitava em derrubar à espada qualquer sociedade que lhe resistisse. Uma de suas mais famosas campanhas de vingança aconteceu em 1219, depois que o Xá do Império Corásmio rejeitou um tratado com os mongóis. Genghis havia oferecido ao Xá um valioso acordo para o comércio ao longo da Rota da Seda, mas, quando seus primeiros emissários foram assassinados, o Khan respondeu enfurecido com o ataque de toda a força de suas hordas mongóis sobre os territórios do inimigo na Pérsia. A guerra subsequente deixou milhões de mortos e o império do Xá em completa ruína, mas o Khan não parou por aí. Depois da vitória, ele retornou para o leste a fim de  travar guerra contra os tangutes de Xi Xia, um grupo de  mongóis que se recusara a fornecer tropas para a invasão da Pérsia. Após vencer as forças rebeldes e saquear sua capital, o Grande Khan ordenou a execução de toda a família real tangute como castigo por sua insurreição.

6 - Ele foi o responsável pela morte de cerca de 40 milhões de pessoas.
Embora seja impossível saber ao certo quantas pessoas morreram durante as conquistas mongóis, muitos historiadores estimam algo em torno de 40 milhões. Censos da Idade Média mostram que a população da China caiu em dezenas de milhões durante a vida do Khan; os estudiosos calculam que ele possa ter matado um total de três quartos da população do que é hoje o moderno Irã, durante sua guerra com o Império Corásmio. Ao todo, os ataques mongóis podem ter reduzido a população mundial em até 11 por cento.

“Eu sou um castigo de Deus. E se você não tivesse cometido grandes pecados, Deus não teria enviado um castigo como eu.”  Uma das muitas frases atribuídas a Genghis Khan.

7 - Ele foi tolerante com religiões diferentes.
Ao contrário de muitos outros construtores de impérios, Genghis Khan abraçou a diversidade religiosa de seus territórios recém-conquistados. Ele aprovou leis que declaravam a liberdade religiosa para todos e até mesmo concedia isenções fiscais a locais de culto. Essa tolerância tinha um lado político, Khan sabia que indivíduos felizes eram menos propensos a se rebelar, mas os mongóis, como povo,  também demonstravam uma atitude extremamente liberal em relação à religião. Enquanto que  Genghis Khan e muitos outros praticavam um sistema de crença xamânica que reverenciava os espíritos do céu, ventos e montanhas; havia entre os povos das estepes um caldeirão de crenças, que incluía cristãos nestorianos, budistas, muçulmanos e  tradições animistas. O Grande Khan também tinha um interesse pessoal na espiritualidade. Ele era conhecido por orar em sua tenda por vários dias antes de  campanhas importantes, e, muitas vezes, encontrou-se com diferentes líderes religiosos para discutir os detalhes de suas crenças. Na sua velhice, Genghis Khan convocou o líder taoísta Qiu Chuji ao seu acampamento, supostamente, os dois  tiveram longas conversas sobre  imortalidade e  filosofia.

8 - Ele criou um dos primeiros sistemas postais internacionais.
Junto com o arco e o cavalo, a arma mais potente dos mongóis pode ter sido a sua vasta rede de comunicação. Um dos primeiros decretos de Genghis Khan ordenava a formação de um serviço de correio montado conhecido como o "Yam." Este, consistia em uma série bem organizada de estações estendidas ao longo de todo o território do Império. Ao parar para descansar ou assumir uma nova montagem a cada poucos quilômetros, os mensageiros oficiais podiam percorrer  a até 200 quilômetros por dia. O sistema permitiu que bens e informações viajassem com velocidade sem precedentes e também agiu como os olhos e os ouvidos do Khan. Graças ao Yam, ele poderia facilmente ficar a par dos desenvolvimentos políticos e militares e manter contato com sua extensa rede de espiões e batedores. O Yam também ajudou a proteger os dignitários estrangeiros e os comerciantes durante as suas viagens. Nos seus últimos anos, o serviço foi usado por nomes como Marco Polo e João de Plano Carpini.

9 -  Ninguém sabe como ele morreu ou onde está enterrado.
De todos os enigmas que cercam a vida do Khan, talvez o mais intrigante seja saber como ela terminou. A narrativa tradicional diz que ele morreu em 1227 de ferimentos sofridos em uma queda de  cavalo, mas outras fontes listam de tudo, desde malária até a uma flechada no joelho. Um dos relatos mais questionáveis afirma que ele foi assassinado ao tentar violentar uma princesa chinesa. Além de não sabermos como ele morreu, há também um grande mistério sobre o seu lugar de descanso final. Segundo a lenda, seu cortejo fúnebre abateu todos os que encontraram pelo caminho durante a viagem, depois, todos os que participaram do enterro também foram mortos, seguindo ordens deixadas pelo Khan. A sepultura provavelmente esteja localizada perto de uma montanha mongol chamada Burkhan Khaldun, mas o local exato é desconhecido.

10 - Os soviéticos tentaram extinguir a sua memória na Mongólia.
Genghis Khan é agora visto como  herói e fundador nacional da Mongólia, mas durante a era de domínio soviético, no século 20, a simples menção de seu nome foi proibida. Com a intenção de acabar com todos os vestígios do nacionalismo mongol, os soviéticos tentaram suprimir a memória do Khan, retirando a sua história dos livros escolares e proibindo as pessoas de fazer peregrinações à sua terra natal em Khentiy. Genghis Khan foi  restaurado à história mongol depois que o país conquistou a independência no início de 1990, desde então, ele se tornou um tema recorrente na arte e na cultura popular. O Grande Khan empresta seu nome ao principal aeroporto do país, na cidade de Ulan Bator, e seu retrato está na moeda mongol.

As dezenas de esposas de Genghis Khan e sua obsessão de estuprar as mulheres dos vencidos durante suas  pilhagens, podem tê-lo tornado o pai de centenas ou mesmo de milhares de filhos. De acordo com um famoso estudo genético de  2003, cerca de um em cada 200 homens vivos carrega uma forma do cromossomo Y que talvez tenha se originado com o líder mongol. Se for verdade, isso significa que 0,5 por cento da população masculina do mundo são seus descendentes diretos.

Fonte: kid-bentinho.blogspot.com.br

Frases de Gengis Khan



quinta-feira, 20 de abril de 2017

Escravidão Indígena no Brasil Colonial.


Escravidão Indígena no Brasil Colonial




O litoral brasileiro era repleto de tribos indígenas no começo do século XVI, época em que os portugueses chegaram ao Brasil. Como o objetivo principal dos colonos era a obtenção de lucro na nova terra conquistada, a opção pela escravidão indígena foi quase que imediata.
O auge da escravidão indígena no Brasil foi no período inicial da colonização, entre os anos de 1540 e 1580.
O escambo
A primeira “relação de trabalho” entre portugueses e índios brasileiros foi o escambo. Os portugueses ofereciam objetos (espelhos, apitos, cordas, facas e etc.) aos índios em troca do trabalho no corte e transporte de pau-brasil.
O trabalho nos engenhos
Com o estabelecimento dos engenhos de açúcar no nordeste do Brasil, os colonos precisavam de grande quantidade de mão-de-obra. Muitos senhores de engenho recorreram a escravização de índios. Organizavam expedições que invadiam as tribos de forma violenta, inclusive com armas de fogo, para sequestrarem os indígenas jovens e fortes para levarem até o engenho.  
O trabalho na região Norte
A mão-de-obra escrava indígena foi muito utilizada na segunda metade do século XVII, principalmente no Maranhão. Os índios foram usados em pequenas lavouras e também na exploração das "drogas do sertão". A falta e o alto custo dos escravos africanos fizeram com que os colonos optassem pelos índios. O uso dos nativos como escravos teve forte oposição dos jesuítas, que entraram em conflito com os colonos da região. Foi somente em 1682, com a criação da Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão, que a mão-de-obra indígena começou a deixar de ser usada, sendo substituída pelos escravos africanos.
O comércio de escravos indígenas
Houve até um mercado de negócios com escravos indígenas. Comerciantes organizavam expedições de captura indígena para lucrar com a venda destes escravos aos senhores de engenho.
Outra forma de obtenção de escravos indígenas
Era muito comum a guerra entre tribos indígenas. Os portugueses aproveitaram esta rivalidade, faziam alianças com determinadas tribos e, em troca de apoio militar, recebiam índios adversários capturados como recompensa.
Principais problemas e dificuldades da escravidão indígena no Brasil
Desde o início a escravidão indígena não deu certo pelos seguintes motivos:
- Muitos indígenas resistiam ao trabalho forçado, não trabalhando (mesmo recebendo punições físicas) ou tentando a todo custo fugir para a mata, pois os indígenas tinham uma economia de subsistência, ou seja, não tinham interesse em acumulação, viviam da natureza, onde extraíam sua alimentação, respeitavam a terra e os rios;
- Havia forte oposição ao trabalho escravo indígena por parte dos jesuítas portugueses que vieram para o Brasil catequizarem os indígenas no período colonial;
- Com o aumento do lucrativo tráfico de escravos africanos, a própria coroa portuguesa começou a se opor à escravização indígena no final do século XVI;
- Muitos indígenas morreriam de doenças trazidas pelos colonos portugueses como, por exemplo, sarampo, varíola e gripe.
Diminuição e fim da escravidão indígena
A partir do final do século XVI houve uma forte redução da escravidão indígena. Isso ocorreu, principalmente, em função das dificuldades apontadas acima e também do aumento da escravidão negra africana. Esta segunda era bem mais lucrativa aos comerciantes e também a cora portuguesa. Não houve também, como ocorre com a indígena, uma forte oposição dos jesuítas ao trabalho escravo africano no Brasil.
Oficialmente, a escravidão indígena só foi proibida em 1757 através de um decreto do Marques de Pombal. 
Fonte: site- suapesquisa.com


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Homenagem ao dia do Índio.


Lição de um chefe indígena sobre a exploração de pau-brasil





Uma vez um velho perguntou-me: Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?

Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus  cordões de algodão e suas plumas.

Retrucou o velho imediatamente: e porventura precisais de muito? 

– Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.

_ Ah! Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?

 _ Sim, disse eu, morre como os outros. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: 

E quando morrem para quem fica o que deixam? 

_ Para seus filhos se os têm, respondi, na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. 

_ Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs (franceses) sois grande loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.

Fonte: Extraído do livro Viagem à terra do Brasil – 1960 de Jean de Léry.
O Povo Brasileiro de Darcy Ribeiro.

Dia do Índio - mensagem do cacique de Seattle.

Em 1854, “O Grande Chefe Branco” (o presidente americano) em Washington fez uma oferta para “comprar” uma grande área de território indígena e prometeu uma “reserva” para os índios peles vermelhas dos EUA. 
Em seguida a essas apresentações, levantou-se o Cacique Seattle e começou a falar. Ele pousou a mão sobre a cabeça do muito menor Stevens, e declamou com grande dignidade, por um período prolongado, o seu discurso.

Com a sabedoria de um grande líder, o Cacique Seattle recomendou às suas tribos que fossem para a reserva, pois sabia que não poderia resistir às armas de fogo, caso optasse pelo confronto direto. No entanto, deixou, com seu profético discurso, uma lição para as futuras gerações de todos os povos do mundo, uma lição que, aparentemente, muito poucos aprenderam.
Cacique Seattle


“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A ideia é estranha para nós. Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los? Cada parte da Terra é sagrada para mim e o meu povo.
Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo, é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A energia que flui através das árvores traz consigo a memória e a experiência do meu povo. A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias do homem vermelho.
Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da Terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos. Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar onde poderemos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra. Mas não vai ser fácil. Pois esta terra é sagrada para nós.
A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais. Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas da vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.
Os rios são nossos irmãos e saciam nossa sede. Os rios levam nossas canoas e seus peixes alimentam nossas crianças.
Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês, e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo carinho que têm para com seus irmãos.
Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras.
Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa. A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele a vence, segue em frente. Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa. Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.
O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos. Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu, como carneiros ou contas brilhantes. Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto. Não sei!
Nossas maneiras são diferentes das suas. A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho. Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende. 
Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco. Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um inseto.
Aurora boreal em terras indígenas do norte da América
Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo. A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos. E o que é a vida se um homem não puder ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa.
Sou um homem vermelho e não entendo.  O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo hálito.
O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível (ao seu próprio) mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos com toda a vida que ele sustenta. 
Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento que é adoçado pelas flores da campina.
Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Eu Sou um selvagem e não entendo de outra forma.
Vi mil búfalos mortos e apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava. Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamos para ficarmos vivos.
O que é o homem sem os animais?
Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão do espírito. Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem. Todas as coisas estão ligadas.
Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés é as cinzas de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra é rica com as vidas de nossos parentes. Ensinem aos seus filhos o que ensinamos aos nossos, que a Terra é nossa Grande Mãe.
Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra. Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.
Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem – o homem pertence à Terra. Isto nós sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Todas as coisas estão ligadas.
Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum. Podemos ser irmãos, afinal de contas. Veremos.
De uma coisa nós sabemos e que o homem branco pode um dia descobrir – o nosso Deus (das tribos peles vermelha da América do Norte) é o mesmo Deus.
Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo.
Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para com o homem vermelho quanto para com o branco (ou para o negro, o amarelo, não importa a cor da “vestimenta de pele”).
A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo por seu criador. Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos.
Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algum propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os búfalos são mortos (em excesso), os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos das florestas carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista das montanhas maduras manchadas por fios que falam.
Onde está o bosque? Acabou.
Onde está a águia? Acabou.
É o  fim dos seres (realmente) vivos e o começo da sobrevivência.”
Extraído de The Irish Press, publicado numa sexta-feira, 4 de junho de 1976.